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Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

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18
Fev19

ESTRANHEZAS DO DIA A DIA

Guerreira Xue

Situações acontecem o tempo inteiro em nossas vidas. No caso de escritores, tudo parece motivo de  contar. Então senta que lá vem uma história muito variada, e cheia de surpresas.

No sábado último fomos a um sarau solidário no museu da Santa casa de São Paulo, de nome  "sarau cai na roda". Um evento criado por minha amiga e editora Thais Matarazzo, com fins de doação para o restauro de livros dos expostos. Para os despistados de plantão, os livros dos expostos comportam registros desde 1825 a 1960, de crianças que eram abandonadas na roda dos Expostos da entidade, que segundo a diretora do museu estão contidos  4.696 registros. Pois bem... Meu filho Gustavo e eu fomos, e foi muito gostoso poder ouvir poemas e músicas, recitar também.

Na saída a chuva engrossou e  por conta que ninguém levou o guarda chuvas fomos ficando nas dependências do prédio conversando com os demais que também ficaram a espera. O sarau terminava as 17h00min, mas eram 20h00min e nada da chuva dar trégua. E nossa barriga roncava de fome. Não tivemos mais o que fazer,  o jeito era sair na chuva até o metrô mesmo.

O Gustavo resmungava no celular com algum amigo; não basta ser solidário, tem que ficar molhado também!

Chegamos finalmente a estação de metrô encharcados. Até chegar a casa eram três  conduções, ainda bem que não precisávamos sair para fazer as baldeações. No caminho o Gustavo e eu planejamos tomar um  banho quentinho, pois estávamos com frio  por conta do ar condicionado interno, pedir pizza e beber aquele vinho maravilhoso que nos esperava silencioso em casa. E a barriga velha só roncava!

Ao descer na estação de casa perguntei se podíamos trocar a pizza pelo churrasquinho, que afinal estava tão pertinho e já pronto na porta. O Gustavo que estava verde fome disse: que seja!  

Não havia ninguém na  banca da moça do churrasco. Pedimos e fomos comendo ali mesmo. Conversando amenidades com a dona. Aquilo era o paraíso na terra, nem lembrava mais que estávamos molhados, e nem mais frio tínhamos. O melhor churrasquinho de nossas vidas.

De repente aparece um tipo estranho com uma menininha e chama a dona. Ela pede licença e vai. O sujeito a puxa pelo braço e depois ouvimos seu grito. Ela logo volta transfigurada. Pergunto o que houve, mas já imaginando um assalto ou sei lá o que! O meu cabelo arrepiou na hora. Ela diz que é nada, mas já chorando, e ligava para a filha dizendo: vem logo aqui, preciso de ajuda agora! Fiquei tão apavorada, que me deu vontade de sair correndo dali. E eu insistia: diz logo o que houve mulher? Ela então conta que o marido tinha acabado de arrancar um dedo, numa máquina de cortar azulejos, e que estava caído na casa deles. Depois disso a pequena começou a chorar e gritar. 

Senti-me num filme de terror. Queria sair logo dali, mas perguntei o mais calma que pude: quer que te façamos algo, diz.

A mulher que não sabia se atendia aos churrascos, a pequena que gritava, ou ao marido que devia estar lá caído. Ela então acalmou a pequena e disse; fica aqui com a tia minha filha e cuida o churrasco, se pegar fogo põe água, que eu já volto. A filha logo disse; mas eu não sei fazer mãe. A mãe gritou já do outro lado; a tia faz. A tia no caso ali era eu! Eu sem muito que dizer, falei para levarem o dedo junto para o hospital. Gustavo visivelmente nervoso falava para a pequena que tudo ficaria bem.

A tal filha com quem ela falava anteriormente ao telefone apareceu, e contado o acontecido, ela se incumbiu da barraca. Gustavo e eu pedimos mais um churrasquinho para levar. Até ai ninguém conseguia encontrar o dedo perdido do homem. Que lástima!

Não sei dizer quanto tempo durou esse episódio, mas me pareceu uma eternidade. Ao despedirmo-nos ela agradeceu pelo apoio, e viemos para casa com a promessa de voltar para saber noticias. 

Ao chegarmos a casa, tínhamos uma sensação de irrealidade. Esse foi um dia muito estranho.

 

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