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Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

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20
Mai19

FILHA DO VENTO/por Thais Matarazzo

Guerreira Xue

 

Olá gente amiga. Trago aqui um pequeno conto da escritora Thais Matarazzo. Eu não preciso dizer nada, porque as palavras dela já dizem sozinhas. Espero que apreciem sem moderação.

Grande abraço.

Conto extraído do livro “Abandonados na Roda: destinos” – vol. 2 (Matarazzo, 2019), de Thais Matarazzo.

https://www.facebook.com/thaismatarazzosp

Ela gostava de escrever os seus poemas quando a noite era de luar, tanto faz se no frio ou no calor.
A lua era presença obrigatória para a sua produção, sendo a sua parceira.
Cecília era uma das órfãs que vivia no Asilo dos Expostos, instalado numa ampla chácara Wanderley, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. O dormitório feminino era coletivo e ficava no lado direito do velho casarão. Nele dormiam crianças e adolescentes de todas as idades. Cada utente possuía uma cama de ferro e um criado mudo, que incluía uma gavetinha, era ali que Cecília guardava os seus poemas, em papéis soltos ou em pequenos cadernos.
Durante o dia, Cecília e suas colegas estudavam e aprendiam trabalhos domésticos e manuais. Quase todo o serviço de limpeza era executado pelos internos. Cecília também tinha que auxiliar nos cuidados com as crianças pequenas, trabalho que não apreciava muito.
A jovem era sonhadora e tinha um espírito livre. Era rebelde e inteligente, aprendeu a não contrariar e nem responder para não “bater de frente” com as religiosas que administravam o asilo. Mas nunca concordou com às regras e à catequese das freiras, achava que o mundo era muito mais interessante do que o ambiente do orfanato, que considerava mais “um convento”.
Certo dia, quando já estava com 17 anos, tomou coragem e foi conversar com o diretor. Solicitou informações sobre o seu registro no Livro de Matrícula dos Expostos, desejava saber algo sobre a sua origem. O pedido foi deferido, o diretor informou que ela foi deitada na Roda dos Expostos em 8 de outubro de 1883, quando as instalações da Santa Casa ainda eram na Rua da Glória, na Liberdade. Cecília foi deixada com um papel, com a declaração de que ela “seria procurada ao seu tempo”. O batismo aconteceu dois dias depois, na matriz da Sé, tendo como celebrante o padre Manuel de Abreu, a menina recebeu o nome da madrinha, Cecília Leitão, e o padrinho foi Santo Antônio.
- É somente o que consta, minha garota.
- Ser procurada ao seu tempo... Há quanto tempo? Já tenho 17 anos e “esse tempo” nunca chegou, não é mesmo, senhor diretor?
Mesmo sentindo um nó na garganta, o sisudo senhor replicou.
- Está satisfeita com as informações, Cecília?
A garota o olhou fixamente, de maneira séria. Ela agradeceu e retirou-se da sala da diretoria. Cecília sentiu “o grande vazio do mundo”. Correu para o dormitório feminino e chorou... ali sozinha, na “solidão que sempre a acompanhava”.
Sabia que estava próximo o momento em que teria que deixar o asilo. Naquele mesmo dia, ao final da tarde, correu para um local afastado dentro da chácara, sentou-se debaixo do pé de manacá - que estava esplendidamente florido - localizado no cimo do monte de onde se avistava a Serra da Cantareira...
Angustiada em seus sentimentos, desejando traduzir aquilo que se passava em seu coração, mente e alma, indagava-se sobre a sua solidão, sobre a falta de referências sobre as suas raízes... Quem seria a sua mãe? Qual seria o seu nome?
Com lágrimas nos olhos, não esperou pela lua, e proferiu esses versos:

Escrevi teu nome no vento
E ele levou minhas palavras
Evaporou na nuvem do esquecimento
Ah, o vento sem sentimento...
Não sei de onde vim
Nem sei para onde vou...
Daqui a pouco ganharei o mundo
Não sei se ele é raso ou profundo
Como ele irá me devorar?
Serei livre para sempre
Sem âncoras para aportar
Sou uma filha do vento
Irei para onde ele me soprar...

 

CECI.png

Foto: personagem Cecília. Domínio público

 

17
Mai19

HOMENS, SEDE HUMANOS/Jean Jacques Rousseau

Guerreira Xue

O grupo constituído pelos escritores  Hilda Milk, Thais Matarazzo, Ana Jalloul, do historiador J Rodrigo Alves,  da dramaturga Carmem Toledo e do ativista cultural Gilberto Canteiro apresentou ontem uma pequena encenação de Jean Jacques Rousseau

Uma peça curta adaptada por Carmem Toledo (@carmem.toledo) foi apresentada nessa quinta-feira, 16/05, às15:00, durante o Sarau Cai na Roda, no Museu da Santa Casa.

O trecho apresentado é basicamente uma explicação do autor, por ter abandonado seus cinco filhos na Roda dos enjeitados em Paris.

O valor arrecadado foi destinado a restauração do acervo do museu.

O evento é promovido pelo Coletivo São Paulo de Literatura.

 

End: rua Cezário Mota Jr., 112 Vila Buarque São Paulo

Haverá nova apresentação no sábado dia 18/05 às 10:00, o que culmina com o lançamento oficial do  livro novo da escritora Thais Matarazzo

ABANDONADOS NA RODA vol. II

O livro traz um apanhado dos registros reais das crianças deixadas na roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com ficção criada pela autora, uma vez que pouco se sabe do destino da maioria daqueles se saíram adultos da instituição.

A roda propriamente dita, acabou por salvar muitos recém nascidos da morte. E a sociedade ainda tão desigual, sofre até os dias de hoje com números alarmantes de infanticídio.

 

Quer assistir e se emocionar? Então vem!

peça1.jpg

 

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