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Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

14
Nov18

O GRANDE PÁSSARO

Guerreira Xue
 

O sol se foi, e eis que a noite aparece
O pensamento, que andou o dia distante
Agora chega mais perto
Como que fosse um grande pássaro
A espera de alguém para pousar
Ele espreita suavemente e avança
E ao pensar na vida fiquei tão triste
Que desandei a chorar
Logo argumentei comigo mesma
Não é um grande drama chorar
É só chorar
Depois do berreiro, a coisa passa
Mas agora nesse momento
É chorar, e chorar muito
Com se o mundo de repente
desabasse
Como se eu desabasse
E caindo
me juntasse ao pó da terra
Sem preocupar se alguém vai condenar
É só chorar...
Seguir adiante requer tanta força
Que quase chego a entender bem 
aquele que desistiu de tudo
Há uma força motriz dentro de nós
que nos impele a estagnar
Em velhos moinhos que foram
abandonados
menos por quem se deixou ficar
acorrentados
Se o ato de chorar for pena
Estou com pena de mim
com pena do mundo
Que por alguma razão se perdeu
me perdeu.

Pág.25 do livro No silêncio da hora nasce a poesia palavras que transbordam.11/2018
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"imagem da net"

08
Nov18

MEMÓRIAS DE UM PASSAGEIRO

Guerreira Xue

Ana Lucia era advogada pública já havia bem 5 anos, e fora designada para defender um jovem acusado de matar um político importante. Era só mais um dos tantos casos de garotos aliciados para o sexo que mata o seu aliciador, ou teria mais alguma coisa?

Agora frente a frente ela dizia que lhe contasse tudo sem omitir nada; pois seja o que seja, serei eu que vou proceder sua defesa.

_A minha primeira pergunta é: foi você que atirou no senador Dantas? _Não. _Mas estavas lá com as mãos sujas de sangue e não havia ninguém mais quando a polícia chegou. _Estava, porque quando entrei na suíte ele estava agonizando, e pediu-me para ficar com ele. 

 

_Desde que me lembro, eu era uma criança feliz sim senhora. Quem diria que um dia eu iria parar na prisão convivendo com pessoas muito distante daquele mundo cor de rosa que eu fui criado. As vezes penso que ninguém tem nada com isso, que a culpa é minha e que eu mereço o que me acontece todos os dias. 

Perguntei-me tanto quem sou eu, e nunca soube realmente me responder. Então tenho que acreditar no que escrevem na minha ficha criminal.

Os meus pais morreram em um acidente e eu tinha uns 12 anos mais ou menos. A seguir fui parar na casa de uma tia que me surrava diariamente. Um dia não aguentei mais e fugi para a rua. Ela não me procurou, tampouco prestou queixa do meu sumiço, pois eu não era mais que uma despesa na casa dela. Nas ruas eu passei medo por uns dias somente, mas um sujeito, de boa aparência e um sorriso meigo, me recolheu e levou-me para um abrigo, onde havia vários outros meninos e meninas mais ou menos de minha idade. 

Ali tinha comida e cama quentinha. E todos os dias levantávamos cedo, vestíamos nossas roupas de mendigos e um saco de balas ou chocolates ou um balde com um trapo, e íamos para a rua angariar dinheiro para nos sustentar e ao nosso "tio Ari".

Tinha dias que era pura festa, de tanto que arrecadávamos, o tio ficava contente e encomendava pizza para o jantar, mas quando não era o suficiente ele escolhia os mais bonitinhos de nós, vestia-nos bem e nos levava para ser submetido sexualmente as gentes igualmente elegante e que pagava muito pelo "serviço". Também havia as "entregas" a noite, levávamos pacotinho para lá e cá. Não demorou muito para descobrirmos que as coisinhas pequenas que transportávamos eram drogas.

Uma vez um desses ricaços me quis, e perguntou se eu queria sair da rua. Eu queria. Então negociando-me, ele pagou uma certa quantia em indenização para tio Ari, e me levou para morar em sua casa. Me disse que se eu fosse bonzinho ele custeava meus estudos, é claro que eu podia ser bonzinho. Foi então que virei assistente do jardineiro daquela mansão.

Ana interrompe; _lembras dos garotos do abrigo? Algum nome, onde ficavam?

_Lembro sim, mas não era permitido chegar lá, mas as vezes eu escapava da mansão e ia espia-los nos faróis. Sentia falta deles. Foi o mais próximo de família que tive, depois dos meus pais. E aí o tempo passou e eu ia menos, até que nunca mais fui. Mas eu aposto que tio Ari ainda anda por lá, sabe como é? São crianças perdidas e como ninguém as quer...

 

 

 

Continua...

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07
Nov18

MERCADO EDITORIAL X LIVRARIAS X ESCRITORES

Guerreira Xue

 


Recentemente, quero dizer nos últimos quinze anos, com o grande Buum da internet, aliada a recessão na economia mundial, o mercado literário vem sofrendo grandes perdas. Isso chega a tanto, que algumas editoras estão à beira de um precipício sem volta.


Eu como escritora independente, e por experiencia própria posso dizer que os tempos mudaram, e aqueles que não se adequarem as novas regras do "jogo" estão literalmente fora.


Lembro-me como se fosse hoje, e já vão oito anos isso, quando fui orçar um livro meu pela primeira vez. Um novato desavisado logo pensa que, pagando pela edição de seu livro o editor vai vender seu título, ou quando menos ajuda-lo, orientando-o na melhor maneira de chegar ao público. Vai sonhando!


Depois da primeira proposta, que se diga de passagem achei absurda, de uma editora Portuguesa. Eu pensei melhor, agradeci e deixei passar um tempo, pois de que adianta um anônimo escrever um livro, gastar uma fortuna para editar e publicar, e depois ficar "mofando" em algum depósito. Perguntei-me logo, como poderei vender mil exemplares se ninguém conhece meu trabalho?


Eu, na época estava a dois anos e pouco nas redes sociais, e pesquisava sobre a cultura portuguesa numa plataforma virtual, onde por sinal estou até hoje junto da Universidade de Aveiro.


Depois de algum tempo, em 2014 uma editora de São Paulo mesmo, ofereceu lançamentos de livro na Bienal Internacional do Livro. Pedi então um orçamento de um infanto-juvenil que eu tinha pronto. O preço foi acertado, serviços de banner, marcadores de páginas, tarde de autógrafos, e o contrato fechado. 


Eu tenho para mim que novato sempre leva o pior, seja pela falta de experiencia ou pela expertise do outro. Porque no dia do meu lançamento, nem minha família pode entrar, não tive público porque bem em frente do stand da minha editora havia grande evento com uma escritora internacional, e ninguém consegui sequer andar pelos corredores do pavilhão. Não tive o banner, e tampouco os marca páginas. Ao questionar o editor, ele simplesmente respondeu não ter tido tempo.


 


Fiquei com esse livro restrito na editora por três anos, pelo contrato. Demoraram tanto para disponibilizar o link de vendas do mesmo, e eu de 15 em 15 dias cobrava.  Comprei uma centena do mesmo para poder divulgar. Às vezes eu ia na página da editora, divulgava e promovia nas redes.


Até que um dia o editor me manda um e-mail mencionando uma promoção em forma de pontos. A cada compra de livros, indicado pelo site, o leitor ganhava uma espécie de pontos até que podia escolher um livro grátis. Opa...enfim uma boa ideia! Acessei o site e ia realmente indicar o site, quando percebi que o meu livro não se encontrava entre os indicados. Quer saber! Perdido por um perdido por mil!


Passaram-se os três anos, pergunte se me enviaram um relatório de vendas do livro. Nada! Me oferecem todos os anos edições promocionais, isso fazem, como se nada houvesse acontecido.


Depois da decepção do lançamento de meu primeiro livro eu pensei; agora não vou editar livros tão cedo.


As editoras grandes não se interessam por escritores novos. E se engana quem pensa que é por falta de talento. Não mesmo! É comodismo, não querem gastar com Market, pois os livros que vem de fora, já vem com tudo pronto.


O escritor brasileiro independente é um herói, porque apesar de toda essa máquina viciada em literatura pronta, ainda sobrevive em tempos de crise. E olhe que a crise não é só financeira, é crise de pensamento, de argumento, é crise de conhecimento. Muito triste isso. 


O Meu livro infanto-juvenil? Esse eu publiquei no amazon em ebook, e o dinheiro que eu gastaria para edita-lo em livro físico, usei para pagar tradutores e já está em quatro idiomas, no momento.


De minha parte eu digo que, entre pagar para não se lida, e não pagar e ser lida de graça, eu prefiro a segunda opção. 


Os vícios do mercado literário no Brasil não permitiram a entrada do novo, por isso tanta falência.


 E eu? Só sei que vou seguindo daqui, firme e forte.


Um grande abraço!
https://www.amazon.com/Guerreira-Xue/e/B01HAB7JVO


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01
Nov18

MARIA CAROLINA DE JESUS

Guerreira Xue

Sonhei que estava morta
Vi um corpo no caixão
Em vez de flores eram Iivros
Que estavam nas minhas mãos
Sonhei que estava estendida
No cimo de uma mesa
Vi o meu corpo sem vida
Entre quatro velas acesas


Ao lado o padre rezava
Comoveu-me a sua oração
Ao bom Deus ele implorava
Para dar-me a salvação
Suplicava ao Pai Eterno
Para amenizar o meu sofrimento
Não me enviar para o inferno
Que deve ser um tormento


Ele deu-me a extrema-unção
Quanta ternura notei
Quando foi fechar o caixão
Eu sorri… e despertei.


 



– Carolina Maria de Jesus, em “Antologia pessoal”.


(Organização José Carlos Sebe Bom Meihy). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996, p.174.


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