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Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e as atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

Fronteiras e Horizontes

Fiz esse blog para ir longe, até onde os olhos e o entendimento alcançam, porque as palavras ampliam os horizontes, e as atravessam fronteiras quando fazem sentido. Você pode gostar ou não, mas o ideal seria comentar. Beijos!

12
Jan19

NASCE O DIA

Guerreira Xue

Quando o dia nasce
O céu se pinta
A pomba do campo grita
As janelas se abrem
E o coração se agita

Quando o dia nasce
O sol lá longe
Desponta
A gente se levanta
E muito insistente
O velho galo canta

Quando o dia nasce
Com ele nasce junto
Um mundo de esperança.

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12
Jan19

O TEMPO E SUAS FUNÇÕES

Guerreira Xue

O tempo chega e passa
O tempo leva e deixa
O tempo

Não permite trapaça

Se o tempo me deixa
Eu envelheço
Se o tempo me leva
Desapareço

O tempo é tão lento
Mas também voa
Pode ser brisa
Ou vento
Mas nunca perdoa.

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02
Jan19

ATRÁS DA PORTA

Guerreira Xue

Queria esquecer
Mas não posso, ou não quero
Porque esse era meu viver
E meus medos estão lá
Depois daquela porta
E eu chorava
Mas também gozava
O prazer da mordaça
Da dor e do chicote
Do champanhe
Do leite e da cachaça
Eu queria esquecer
Mas eu não posso

Eu era menino
E eu chorava e ria sozinho
O tempo passou
Um dia qualquer deixei de chorar
E continuei a rir
Sozinho
Aprendi a obedecer
Sem argumentar
Aprendi a viver, sem reclamar
Pegava somente o que podia
O que me era permitido
E aprendi a gostar sem amar

Eu era um menino
E era escravo de uma sociedade
Um cachorrinho das vaidades
Queria perguntar, e perguntava
A resposta era; não custa agradar
Entendi que no mundo exitem duas classes
Os que servem e os que são servidos
Nasci para servir

Na roleta da vida, o jogo do viver
Tem lá suas vantagens
Porque o servido igualmente é usado
E pelo servidor também manipulado

 

Aprendi logo
que se for para ser usado, que seja com prazer
Porque o melhor de tudo
Ainda é, poder se bastar.

 

 

 

 

19
Dez18

MULHERES ESCRITORAS

Guerreira Xue

Pergunta: porque há menos escritoras mulheres  em nosso País?

Resposta: na verdade não há menos escritoras que escritores. O que existe é uma série de fatores que culminam por depreciar a Literatura das mulheres. A nossa cultura  é machista, e por isso os espaços nas mídias são facilitados para os homens. 

Outro coisa, eu me lembro que ao dizer a minha avó que queria ser escritora, ela imediatamente me disse que ser escritora era uma perda de tempo.

Quando percebi que escritoras como Cora Coralina, Carolina Maria de Jesus, Adélia Prado, e outras tantas eram mulheres simples como eu. Foi quando compreendi que, quando se quer, você poder ser o que quiser. Ser escritora e ser mulher chega a ser emblemático nesse caso. E mais mulheres vão avançando nesse universo maravilhoso.

 

17
Dez18

CASA DE PAPELÃO

Guerreira Xue

Depois das chuvas os moradores de rua se mobilizam entre as ruas da Direita e São Bento para reconstruir suas "casas", e a disputa por um espaço e papelão é acirrada nas portas recém-fechadas das lojas no centro da cidade. São adultos e crianças correndo para conseguir uma cama seca.

 

Ana é assistente social, e muito acostumada com a rotina das ruas observa aquelas pessoas a mercê do tempo e da disposição alheia. Ela sabe que não há como mante-las em abrigos ou instituições. A seu entender a rua parece surtir um efeito encantador sobre as pessoas que nela vivem.

 A moça lembra do seu tempo de garota. "Vai menina, sai a pedir logo, pois os teus irmãos estão com fome". Dizia-lhe a mãe.

Eram mendigas porque a mãe não tivera sorte na vida. O marido, seu pai, foi uma nulidade que se apossou da fortuna da esposa, e desapareceu abandonando-a com dois filhos pequenos e outro ainda na barriga.

Quando era criança Ana se perguntava sonhadora. "De que serão feitas as casas?" Pois via cada uma delas diferente da outra. Eram casas de tijolos, de madeira, algumas eram grandes, outras nem tanto. Ela não conhecia seus residentes, mas tinha certeza eram felizes dentro das casas. e os filhos tinham um pai amoroso, uma mãe cheirosa, uma comida feita com amor, e em noites frias do inverno ficavam quentinhos em suas cobertas, e não faltavam sapatos com farturas de beijos e abraços.

"Um dia vamos ter uma casa e não vai ser igual a esta, de papelão”. Porque quando chovia ficávamos sem.

E a mãe escondia-se estratégicamente com os filhos menores, enquanto Ana pedia para as donas, daquelas casas lindas, um abrigo só até a chuva passar. "Algumas sequer atendiam a porta, outras davam-me um pedaço de pão e despachavam-me debaixo da chuva mesmo, e claro que eu pegava o pão, parecia que andávamos sempre com fome”.

Eram poucas às vezes conseguiam um canto seco para dormir, mas em geral era debaixo das marquises das lojas do centro da cidade que encontravam algum abrigo. E quando ficavam tristes por não conseguir que alguém os ajudasse a sair da chuva, era para animar que a menina Ana disparava dizendo: "Deixe estar mamãe, um dia teremos uma casa, e não será de papelão". E as lágrimas que escorriam pela sua face eram de pura alegria, ante a possibilidade de um dia ser tão feliz quanto aquelas pessoas que viviam dentro daquelas casas.

A maioria daquelas crianças, que crriam para lá e cá, tem o mesmo sonho que Ana tinha, um dia ter um teto de verdade.

“Pena mamãe não estar aqui, para ver que conseguimos, e foi ela que manteve a mim e meus irmãos vivos, e gratidão é a única palavra que me ocorre neste momento”.

17
Dez18

CARTA PARA CAROLINA

Guerreira Xue

Querida Carolina Maria de Jesus

Sei que nunca vais ler isso, pois faz tempo que não estás mais entre nós. Mas gostava muito de dizer-te o apreço que tenho pelo seu trabalho literário nesse País.  Da tua grandeza, porque pesar de tantas adversidades em sua vida, você encontrou a dignidade na escrita. Uma mulher inteligente, negra e diligente. Do mundo você não levou nada, mas deixou seu legado. Uma riqueza.

 

“Muitas fugiam ao me ver                                
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia”


                                                                     Para custear o meu viver
                                                                     E no lixo eu encontrava livros para ler
                                                                    Quantas coisas eu quiz fazer
                                                                    Fui tolhida pelo preconceito
                                                                   Se eu extinguir quero renascer
                                                                   Num país que predomina o preto”

 

Áh minha querida Carolina, tenho tanto orgulho de você que te fiz minha patrona, na Academia Contemporânea de Letras dessa cidade, aonde tanto papel você catou. Tens agora o teu nome na cadeira de número nove, e de lá ninguém vai te expulsar linda rainha. E eu espero poder exalta-la sempre.

 

“Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.”

 

Podes renascer onde te prouver, porque aqui eu sei que ninguém irá te esquecer.

Um beijo afetuoso da Guerreira Xue/Hilda Milk

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16
Dez18

QUANTAS VEZES

Guerreira Xue

Quantas vezes subimos o monte
E ali do alto, perto das nuvens
Contemplando as distancias
Encerrados em nós, choramos

Diria eu, um ato necessário
Triste e também solitário
Porque afinal todas as contas
Acertamos é conosco mesmo
E que ninguém veja nossas lágrimas
a jorrar

Do quanto somos patéticos e frágeis
Conscientes da falta de testemunhas
Lamentamos no monte, as nossas perdas
Os erros, as culpas, os medos
E choramos por nós, e por vós
Até que a torrente libertária esvaia-se

Depois de acalmada a tempestade
Vestimos novamente a esperança
Nesta humanidade que trazemos em nós
E termina aqui o mundo
É hora de descer o monte
Renascendo para o novo mundo.

 

16
Dez18

MAIS UMA VEZ É NATAL...

Guerreira Xue

Hora dos desejos… Nos tempos que correm, ser feliz é quase que um devaneio momentâneo. Ao olhar em volta ve-se tanta violência, fome, desavenças entre etnias, entre gêneros, em família.

É difícil sorrir quando perdemos um ente querido, ter esperança quando temos alguém com câncer em casa, ou quando o pai perdeu o emprego e a mãe está deprimida, ou quando aquele velhote não esquece os horrores da guerra.

Os problemas são tantos…

De alguma forma cristãos ou não, todos conhecem o Natal e podem até nem acreditar muito, mas reconhecem o valor da fé e esperança que este dia representa com sua simbologia.

É claro que existe todo um comercio que ganha muito com a data, mas compra quem pode, e mesmo quem às vezes não pode, faz um esforço para presentear quem gosta muito.

No Natal as armas caem, a bandeira da paz é hasteada, e o povo reúne-se em qualquer lugar, seja em casa, barracos, ou nas ruas do mundo.

Hora de fazer nossa oração e criar uma grande corrente de energia sobre o planeta.

De joelhos e contritos nesta hora sagrada, uma voz interior clama por Paz… "Quero paz por toda a terra, comida em toda mesa e generosidade nos corações."

Espalhem a notícia. Feliz Natal!

15
Dez18

Carolina Maria de Jesus

Guerreira Xue

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi um a escritora brasileira, considerada uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do País. Autora do livro autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.

15
Dez18

Dark Sky Island/Enya

Guerreira Xue
 
Ouça as ondas se tornarem
A voz azul do mar
E eles sussurram quando tocam a costa
Volte para mim,
Volte para mim.

Barco de barco nas ondas
Todos vêm para encontrar a luz
Na escuridão do céu acima
Volte para mim,
Volte para mim

Capella, Auriga
Eta Carinae, Sagitta
Aquila, Alpha Centauri

Crepúsculo chega para fechar o dia
E deixe a noite se libertar
E do céu azul profundo os céus se erguem
Volte para mim,
Volte para mim.
Volte para mim,
Volte para mim.

Capella,
Auriga
Eta Carinae,
Sagitta Aquila,
Alpha Centauri O luar traz as estrelas do oceano Como ondas sobre o mar E a costa da meia-noite chama mais uma vez: Volte para mim, Volte para mim. Volte para mim, Volte para mim. Volte para mim, Volte para mim.